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![]() Museu da Seresta e Serenata |
![]() Joubert de Freitas |
"No
final da década de 50, idealizamos um mundo de canções onde as pessoas que
gostassem de cantar, tocar e ouvir pudessem conviver com tranqüilidade.
Esse plano - Conservatória, em toda casa uma canção - visava preservar as canções brasileiras de amor, cantadas em serenata desde 1938 quando chegamos ao lugar, com a alma ainda marcada pela Serra da Beleza. Em levantamento criterioso, abrangendo o período de 1938 a 1958, concluímos pela existência de cerca de 150 canções incorporadas à memória musical do lugar. A forma de eternização das canções se realizou mediante plaquetas metálicas (hoje de aço inoxidável), afixadas nas fachadas das casas, com indicação do título da obra musical e os nomes dos autores. Colocadas inicialmente dez placas nas esquinas do
centro urbano, a fim de verificar a aceitação da comunidade, a resposta
positiva revelou a canção que cada um guardava no coração, facilitando a
"sonorização" de diversas casas.Simultaneamente, o Museu da Seresta, uma casa particular, sem bebidas, de portas abertas para o bate-papo e reuniões musicais, começava a surgir para ser a síntese do lirismo das ruas. Obra de idealismo, o Museu nasceu independente, como ainda ocorre, da interferência oficial e sem vínculo comercial, razão principal do seu êxito. A finalidade precípua consiste em manter
viva e pura a serenata pela rua, especialmente em noite de luar e
estrelada, preservando canções de amor de ontem, como O Lenço Dela (do
século XIX) - de Álvares de Azevedo, Lua Branca (de 1911) - de Chiquinha
Gonzaga, Noite Cheia de Estrelas e Última Estrofe (década de 30) - de
Cândido das Neves, sem esquecer outras canções de amor, da fase antiga e
contemporânea, de compositores como Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Chico
Buarque, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Fágner, Paulinho Tapajós e Carlos
Colla, integradas no patrimônio sentimental do povo
brasileiro.Tocar e cantar em recinto fechado constitui rotina no Brasil inteiro. Conservatória se distingüe de outras cidades porque, há muitos anos, canta pela rua em serenata, sendo considerado o lugar mais bonito do mundo pelo escritor e jornalista Artur da Távola. José Borges e Joubert de Freitas |
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"se chama saudade" |

Seresteiros cantando ao luar nas ruas de
Conservatória
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